quinta-feira, 24 de março de 2011

Campanha Mascote da Floresta Nacional de Ipanema

Matéria publicada no Jornal Cruzeiro do Sul, em 12/03/2011

Cruzeirinho faz campanha por animal-símbolo da Flona

Foram selecionados 12 animais, três de cada espécie, e a eleição ocorrerá em dois turnos
                                        Foto: Osvaldo Cristo. Acervo Floresta Nacional de Ipanema

    Uma eleição irreverente, porém séria e com o objetivo louvável de criar consciência em crianças e adolescentes da importância da preservação da fauna da Floresta Nacional (Flona) de Ipanema, vai começar amanhã no suplemento infantil Cruzeirinho. A Campanha Vote na Mascote, criada por profissionais que atuam naquela unidade de conservação ambiental e que tem o apoio do Jornal Cruzeiro do Sul/Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), vai escolher o animal-símbolo para estampar logotipos e demais materiais visuais relacionados à Flona de Ipanema. A iniciativa também comemora o aniversário daquela unidade, celebrado no dia 20 de maio. Moradores de Sorocaba e de cidades da região poderão participar escolhendo um animal entre os 12 que disputam o posto de mascote. Quem quiser acompanhar toda a campanha deve ficar atento às páginas do Cruzeirinho e ao canal desse suplemento infantil no site www.cruzeirodosul.inf.br.

   Atuar em conjunto com um público alvo específico selecionado para essa campanha tem o propósito de fornecer elementos para que crianças e adolescentes se apropriem da Flona de Ipanema e assim sintam-se motivados a preservá-la. "É como se estivéssemos plantando uma sementinha", compara o biólogo e analista ambiental, Luciano Bonatti Regalado, que é chefe-substituto da Flona de Ipanema. "São eles que um dia serão responsáveis pela preservação da Flona de Ipanema e para isso precisam conhecer, entender a importância da biodiversidade do lugar, gerenciado e conservado por profissionais, mas é que de todos e não do Governo".
   Luciano explica que, por ser uma unidade de conservação situada numa Zona de Tensão Ecológica, ou seja, zona de transição que mescla Mata Atlântica e vegetação de Cerrado, a fauna da Flona de Ipanema é muito rica. "Essa mistura de fragmentos de vegetação provoca uma particularidade na fauna, de uma riqueza muito importante que precisa ser conservada por abrigar animais hoje considerados raros em algumas regiões do Estado de São Paulo, inclusive com algumas espécies que merecem cuidado quanto à sua existência, e outras ameaçadas de extinção, como a onça parda e o lobo-guará", afirma.
   Floresta Nacional (Flona) é a denominação dada às áreas transformadas em unidade de conservação ambiental em todo o país e a de Ipanema, localizada no município de Iperó, e muito próxima de Sorocaba e Araçoiaba da Serra, foi criada em 20 de maio de 1992, quando passou a ser administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O lugar recebe muitos pesquisadores que querem conhecer tanto a riqueza histórica, por abrigar prédios da primeira siderurgia instalada no país, quanto por sua riqueza biológica. Para ter uma ideia de sua importância e do quanto ainda pode ser explorado no lugar, Luciano conta que está analisando uma autorização de um projeto de pesquisa de Opeliões (espécie de Aracnídeos), existente no lugar e em outras regiões do interior de São Paulo. "A unidade está de portas abertas para quem deseja investigar, pesquisar suas riquezas com o intuito de preservá-las", comenta o biólogo.
A campanha
    A escolha dos animais que disputam a campanha foi determinada por dois fatores, conforme explicação do biólogo: primeiro, a chance de serem avistados pelos visitantes públicos - os animais de hábitos diurnos são facilmente encontrados pelas pessoas que frequentam o lugar em busca de lazer, conta Luciano. O segundo critério para escolha dos animais ficou por conta das fotos catalogadas no banco de dados pelos pesquisadores. "Priorizamos os animais fotografados pelos biólogos pesquisadores na própria Flona", enfatiza o biólogo que há oito anos atua na unidade como servidor e há 20 anos realiza pesquisas na região.
    Foram selecionados 12 animais, três de cada espécie: Aves (Quero-Quero, o Urubu-Rei e o Tucano-Toco); Anfíbios (Sapo-Cururu, Perereca e Sapo-Ferreiro); Répteis (Cascavel, o Lagarto-Teiú e a Jiboia) e Mamíferos (Tamanduá Mirim, a Jaguatirica e o Veado Catingueiro). Seus nomes científicos, seus hábitos, as regiões onde são encontradas as espécies serão publicadas no Cruzeirinho durante quatro semanas, a partir de hoje, para que as crianças e adolescentes os conheçam e escolham, por meio do voto, aquele que acham que deve representar a Flona de Ipanema.
    Uma cédula de orientação será publicada no dia 3 de abril. Essa poderá ser depositada em urnas colocadas nas sucursais nos seguintes endereços: Rua Padre Luiz, 101, Centro, e no Shopping Sorocaba, Avenida Afonso Vergueiro, 1766. Os votos ainda poderão ser enviados para o Jornal Cruzeiro do Sul, na Avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, 2800, Alto da Boa Vista, CEP-18013-280, Sorocaba/SP. As eleições também serão realizadas pela internet, no site www.cruzeirodosul.inf.br. As escolas de Sorocaba e região, públicas e particulares, podem enviar os resultados já apurados por classes para esses mesmos endereços citados.
    A eleição ocorrerá em dois turnos: o primeiro deve ser realizado até o dia 10 de abril e vai selecionar quatro finalistas, que serão conhecidos pelo público no dia 24 de abril. A votação do segundo turno deverá ser feita então até o dia 1º de maio. O vencedor será conhecido no dia 15 de maio, no Cruzeirinho.
    O presidente da FUA, Laelso Rodrigues comemora a iniciativa e oportunidade da Campanha Vote na Mascote ser divulgada e incentivada justamente pelo caderno infantil. "Além de ser abrangente, já que temos 85 mil exemplares do Cruzeirinho chegando nas mãos de muitas crianças e seus familiares, estamos divulgando a importância de um lugar rico em história e em fauna e flora", comentou. "Só posso estar feliz".

No ar novamente!

Prezados Amigos e Colaboradores,

Corrigidas as falhas de acesso, estamos novamente acessando este espaço de divulgação e compartilhamento de informações sobre as atividades do nosso Núcleo de Estudos!


sábado, 1 de janeiro de 2011

Ipanema e a Defesa


         4 de dezembro de 2010. Nessa data, Bicentenário da Fundação do Estabelecimento Montanístico das Minas de Ferro de Sorocaba, a Real Fábrica de Ferro de São João do Ipanema, lançamos diferentes olhares sobre esse magnífico empreendimento.

"Esta necessidade da fábrica é, sem dúvida, uma das grandes necessidades da província para dar valor a todos os seus produtos. E, por isso, deve ser satisfeita pela mesma província. A renda pública já poderia suprir, se não chegasse tão diminuída ao erário, e não fosse lá repartida com tanta inutilidade. Quem acreditará que uma província que só tem um regimento pago, despende com o Estado Maior do Exército 17:524$216 réis, e com reformados 9:693$030 réis? Total da despesa militar: 154:317$216 réis!" (VERGUEIRO, 1821, grifo nosso)

Desde tempos antigos havia a preocupação estratégica com relação ao uso bélico do ferro. Podemos perceber isso na Câmara de Vereadores de São Paulo, no século XVI.

Sobre isso, escreveu Jesuíno (1969, p. 3, grifo nosso):

"Sem solução de continuidade, o ofício de ferreiro foi mantido por povoadores que, em grande maioria, a história registrou como portadores do sobrenome Fernandes, os quais se viram às voltas com vereadores da Câmara de São Paulo que, a duras lutas procuravam impedir que seu ofício e arte fossem ensinados aos índios, pelo temor que estes viessem a substituir por – “... armas de ferro, os toscos tacapes, machados de pedra e as farpas ósseas das flechas”. " 

Conforme Jesuíno (1969, p. 6, grifo nosso): 

Afonso Sardinha, o velho, a 2 de maio de 1592, recebeu da Câmara de São Paulo patente, datada de 20 de abril desse ano, de Capitão da gente de guerra para defender a vila, então sob ameaça dos índios, mantendo, por 7 anos, função semelhante a já desempenhada por João Ramalho quando a 24 de junho de 1562, foi nomeado para enfrentar os gentios da Paraíba.
Em 4 de dezembro de 1810, séculos depois das façanhas de Afonso Sardinha (descobertas de 1597, no Morro Araçoiaba), como vimos nesses textos, foi criado, por Decreto Real, o Estabelecimento Montanístico das Minas de Ferro de Sorocaba. "Quatro anos depois passava a chamar-se Fábrica de Ferro de São João do Ypanema (SALAZAR, 1998, p. 91). " 

Estaremos procurando reconhecer como a Fábrica de Ipanema interage com os assuntos de defesa, com a logística militar e mais especificamente com o Exército Brasileiro.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Aspectos ambientais da Floresta Nacional de Ipanema


Olá!

O Núcleo de Estudos Históricos e Ambientais da Floresta Nacional de Ipanema, como o próprio nome diz, também possui como objetivo a discussão e disseminação de informações sobre os aspectos ambientais da Unidade de Conservação e região. Dessa forma, encaminhamos para conhecimento de todos, alguns dos trabalhos já realizados na Flona de Ipanema e que estão disponíveis na rede mundial de computadores. Alguns desses trabalhos é de leitura obrigatória para aqueles que desejam conhecer melhor a importância da criação e existência da Floresta Nacional de Ipanema. Desejamos a todos uma ótima leitura! Um grande abraço e os votos de um excelente ano de 2011!

- A vegateção do Morro de Araçoiaba, Floresta Nacional de Ipanema, Iperó (SP)
ALBUQUERQUE, Gislene Batista de & RODRIGUES, Ricardo Ribeiro (2000)
www.ipef.br/publicacoes/scientia/nr58/cap11.pdf
 

- Mapeamento da vegetação e uso das terras da Floresta Nacional de Ipanema, Iperó,SP
FÁVERO, Oriana Aparecida; NUCCI, João Carlos & DE BIASI, Mário (2002)
www.geografia.fflch.usp.br/.../geousp13_favareto_nicci_debiasi.htm
 


- Estudo do uso público e análise ambiental das trilhas em uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável: Floresta Nacional de Ipanema, Iperó, SP
SOUZA, Paula Cristina & MARTOS, Henry Lesjak (2008)
www.scielo.br/pdf/rarv/v32n1/11.pdf
 

- Distribuição da comunidade de epífitos vasculares em diferentes sítios na Floresta Nacional de Ipanema, Iperó, SP, Brasil
BATAGHIN, Fernando Antonio (2009)
http://www.bdtd.ufscar.br/htdocs/tedeSimplificado//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2308
 

- Contribuição ao Gerenciamento da Floresta Nacional de Ipanema: o uso de base cartográfica digital na construção de um modelo alternativo ao Plano de Manejo
REGALADO, Luciano Bonatti (2005)
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=33874

sábado, 11 de dezembro de 2010

Livro "Subsidios para a História do Ypanema"


        No dia 04 de dezembro de 2010, durante as comemorações do Bicentenário da Real Fábrica de Ferro de São João do Ypanema, a Floresta Nacional de Ipanema, por meio do seu Núcleo de Estudos Históricos e Ambientais, com o apoio do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba e da Editora Ottoni, lançou e colocou a disposição do público, a edição fac-similar da obra "Subsidios para a História do Ypanema", produzida em 1858 pelo bacharel Frederico Augusto Pereira de Moraes. Esta obra, considerada rara e disponível em poucas instituições públicas e privadas, apresenta na íntegra a Memória sobre a Fábrica de Ferro de Ypanema, produzida pelo Senador Vergueiro em 1822. Nela ainda estão acrescidas transcrições de documentos da época e plantas da fábrica, pertencentes aos arquivos pessoais do idealizador e segundo administrador da Fábrica, Frederico Luiz Guilherme Varnhagen.


A edição fac-similar está à venda nas principais livrarias da cidade de Sorocaba. O Núcleo de Estudos Históricos e Ambientais da Floresta Nacional de Ipanema também está vendendo a obra. O preço é de R$ 30,00 (trinta reais). A tiragem inicial foi de apenas 500 exemplares.

Logotipo do Núcleo


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Os primeiros anos da siderurgia
Falta de conhecimento técnico dificultou implantação de uma nova indústria no país há 200 anos
© Ilustração de J.B. Debret/40 paisagens-Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Sta Catarina
Cia Editora Nacional/Acervo FAU/USP
Real Fábrica de Ferro de Ipanema retratada por Debret em 1821.

      O primeiro grande investimento em siderurgia feito no Brasil começou com um fiasco que durou quatro anos, no início do século XIX. Apesar do esforço do governo português em planejar e apoiar empreendimentos em metalurgia, essa indústria demorou a se firmar no país. A ocorrência de minério de ferro em Minas Gerais e São Paulo era conhecida havia muito tempo. No final do século XVIII os portugueses tinham patrocinado o treinamento de brasileiros e portugueses nos melhores centros metalúrgicos europeus. Mas apenas quando a Corte se transferiu para o Brasil é que foi autorizado ao intendente Manoel Ferreira da Câmara Bittencourt lançar, em 1809, os fundamentos da fábrica Patriótica em Gaspar Soares, hoje Morro do Pilar, em Minas. Quase ao mesmo tempo a administração portuguesa ordenou a construção da Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema, em Iperó, São Paulo, inaugurada em 1810. As duas empreitadas demoraram anos para produzir algum metal. “A falta de técnicas apropriadas e de mão de obra especializada só foi parcialmente superada no Brasil na segunda metade da década de 1810”, conta Fernando Landgraf, diretor de Inovação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas e pesquisador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
     Portugal sempre soube que era importante dominar todo o ciclo de exploração de minério de ferro e sua transformação nas três famílias de produtos conhecidos no começo do século XIX: gusa (ferro com teor de carbono em torno de 4%), ferro maleável (teor menor que 0,1%) e aço (teor perto de 1%). Na Europa, ingleses, suecos e alemães da Saxônia e de Hesse eram quem tinham tradição em siderurgia, com centenas de altos-fornos construídos na região. Foi lá, na primeira década de 1800, que  os portugueses contrataram Frederico Luiz Guilherme Varnhagen  e Guilherme Eschwege, alemães que assessoravam José Bonifácio de Andrada e Silva na Fábrica de Ferro de Figueiró dos Vinhos, em Portugal. E foi na Suécia que a administração do Império contratou uma equipe de técnicos, com o experiente Carl Gustav Hedberg à frente, para começar a produzir o metal no Brasil.
     Conhecer a técnica de construção de alto-forno era fundamental para  o sucesso da produção de ferro. “Altos-fornos têm funcionamento contínuo, nunca param, e isso faz toda a diferença para se obter o metal”, diz Landgraf, autor de artigo recém-publicado na Metalurgia e Metais – em conjunto com Paulo Eduardo Martins Araújo e o sueco Sven-Gunnar Sporback –, que investigou aquele período. Hedberg foi escolhido por sua experiência em altos-fornos e trouxe para Iperó outros técnicos e máquinas compradas no exterior. O resultado, porém, foi decepcionante. De 1811 a 1814, ele construiu quatro pequenos fornos de fusão, uma casa de fundição, forjas de refino, canais, roda-d’água, represa, mas abandonou a ideia consagrada de alto-forno e produziu em quatro anos apenas três toneladas de ferro, que se mostraram de péssima qualidade.
     Ainda hoje se discute o que levou o sueco a agir daquela forma. “Há a hipótese da sabotagem – para evitar concorrência com a Suécia –, mas acredito na hipótese de ele não ter os técnicos mais competentes, que soubessem trabalhar da maneira correta”,  avalia Landgraf. Havia outro problema: faltava conhecimento para lidar com o tipo de minério de ferro da região. Com a demissão de Hedberg, Varnhagen assumiu a fábrica em 1815, construiu finalmente um alto-forno, contratou técnicos alemães e produziu ferro – algo em torno de 30 toneladas por ano, muito menos do que as 600 toneladas pretendidas. Na outra fundição, no Morro do Pilar, em Minas,  o alto-forno construído teve um rendimento pior ainda. “Sem usar a técnica correta, o intendente Câmara só conseguiu fundir ferro por três dias.”